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16/11/2015
Operário da Música

Operário da Música

*Por Felipe Basso

Renato Borghetti, o Borghettinho, nunca despacha sua gaita-ponto em aviões. E não é só mania ou superstição. O instrumento exige muito cuidado. O fole, por exemplo, deve ser mantido fechado quando não está em uso, de preferência com uma pequena corrente de couro ou de metal unindo uma extremidade à outra. Antes de guardar, é preciso passar-lhe uma flanela, evitando que o acúmulo de suor umedeça e danifique a madeira e o aço. Também é preciso cuidado com as bruscas alterações de temperaturas, pois a elevação pode deixar as palhetas mais macias e, consequentemente, a afinação baixa e com o frio, ocorre o oposto. E mais. A mistura de breu e cera de abelha, que afixa as palhetas, pode derreter com o calor.

Essa mesma e imensa dedicação que o artista dedica ao seu instrumento, é dedicada à sua música. Para Márcio Pinheiro, autor de Esse tal de Borghettinho, este é o segredo da simpatia e do sucesso para o músico gaúcho angariar fãs em todo o mundo.

Sim, todo o mundo não é exagero. Aos 52 anos, a carreira musical do filho de Rodi e Alda é reconhecida em inúmeros países, possuindo inclusive um fã-clube na Áustria, um dos países em que Borghettinho se apresenta frequentamente. “Além de sua qualidade musical, Borghettinho possui um comprometimento extremo com o seu trabalho, sempre cumprindo sua agenda e apresentando profissionalismo, sem os “achaques” comuns a alguns artistas. Ele continua simples.”, conta Márcio.

                                                                            "Ele já tá na história da música" (Márcio Pinheiro)

O autor, que convive com o músico há muito tempo, tendo-o acompanhado em shows, viagens, festivais, bares e cervejadas, revela que Borghettinho é uma pessoa descomplicada. “Se não fosse assim, em algum momento desses 30 anos ele teria manifestado, mesmo inconscientemente, algum lado obscuro do caráter”, complementa.

Márcio desmistifica no livro, inclusive, a imagem de tímido, que acompanha o instrumentista. Fora do palco, na sua Fazendo do Pontal, em Barra do Ribeiro (RS), por exemplo, Borghettinho é um grande contador de histórias, um excelente anfitrião, que preza enormemente o convívio de amigos e colegas de profissão, em confraternizações que podem se estender por dias.

Dividida em 15 capítulos, a obra narra desde a formação musical de Renato, o lançamento do primeiro disco - ainda o disco instrumental mais vendido do Brasil -, suas participações em festivais e parcerias com principais nomes da música brasileira, além de relatos de amigos e familiares.

Amplamente ilustrado com imagens de turnês, shows na Europa e de ensaios para os álbuns, Esse Tal de Borghettinho é uma leitura atraente para qualquer pessoa interessada em música e história do Rio Grande do Sul, porque, como Márcio Pinheiro declara, sem receio de errar. “Borghettinho é um dos maiores músicos brasileiros. Ele já tem seu lugar garantido na história da música brasileira”.


  • Esse tal de Borghettinho
  • Autor: Márcio Pinheiro
  • Editora Belas Letras, 256 páginas
  • Valor médio: R$ 44,60


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